O Universo em Dia trata da vida afetiva depois dos cinquenta e cinco, sessenta, e do que ninguém avisou que ia acontecer nessa faixa. É uma idade sobre a qual se escreve pouco, e o pouco que se escreve costuma ser condescendente — como se a partir de certo ponto o assunto virasse companhia e chá.
Não é isso que eu vejo. Vejo gente recomeçando, gente terminando casamento de quarenta anos, gente descobrindo desejo depois de uma década sem, gente morando sozinha pela primeira vez aos sessenta e três e achando bom. Nada disso cabe no retrato gentil que se costuma fazer.
Escrevo daqui de dentro. Tenho sessenta e um anos, morei sozinho pela primeira vez aos cinquenta e oito, e boa parte do que eu achava que sabia sobre viver acompanhado não sobreviveu a esse período. Foi o que me fez começar a escrever.
Os textos cruzam com frequência assuntos que não são estritamente amorosos: aposentadoria, saúde, filhos, amizade, dinheiro. Isso é proposital, porque nessa idade eles não se separam. Um problema de convivência tem quase sempre um componente de saúde, de rotina ou de dinheiro embutido.
Se você tem essa idade e cansou de ler conselho escrito por gente de trinta anos, talvez este seja um lugar mais reconhecível.




